domingo, 19 de maio de 2013

Exumação faz São Borja (RS) reviver o mito de Jango

A Fronteira gaúcha, de tantas paixões e mistérios, discute desde a semana passada uma questão que emergiu das brumas do passado. De que, afinal, morreu João Goulart, o são-borjense que foi ministro, presidente da República, acabou deposto num golpe militar e faleceu no exílio, voltando ao Brasil só depois de morto? Assassinado? Ou doente, vítima de seu coração fraco e de sua mágoa pelas amarguras do desterro?
Entre os jovens conterrâneos que acompanham política e já ouviram falar desse fazendeiro-ícone da esquerda brasileira, é grande o ceticismo. A hipótese de morte premeditada soa como mirabolante a muitos deles, uma verdadeira teoria da conspiração. Ela pode ser confirmada (ou desmentida) a partir da exumação do corpo de Jango, decidida pelo governo brasileiro na semana passada e prevista para ocorrer ainda este ano.
Já entre os velhos campeiros fronteiriços, gente que conviveu com Jango nas estâncias e comícios, que contrabandeou dinheiro para ele sobreviver no Uruguai e Argentina, é enorme a convicção de que o líder civil deposto pelos militares foi morto num complô armado pelas Forças Armadas dos países do Cone Sul.

Vídeo: morte por homicídio ou por causas naturais?

É o caso dos amigos Luthero Fagundes e Artur Dornelles, que conviveram com Jango nas horas boas e difíceis. Luthero, que tem 88 anos e foi contador e administrador dos bens do ex-presidente, é janguista, mas não é brizolista – acha que Leonel Brizola, cunhado de Jango, contribuiu com extremismos para que seus desafetos criassem condições de um golpe militar. Já Dornelles, 74 anos, tem a parede da sala decorada com retratos de Jango (em maior número) e Brizola, a quem também admirava. Chegou a montar uma espécie de relicário só com fotos do ex-presidente.
Pois mesmo com essa ligeira divergência quanto aos rumos do trabalhismo, a dupla comunga da mesma crença: militares uruguaios, argentinos e brasileiros se uniram para neutralizar as lideranças civis da América do Sul.
Mortes de JK e Lacerda alimentam suspeitas
Luthero lembra que Jango morreu em dezembro de 1976, supostamente de ataque cardíaco, no mesmo ano em que militares derrubaram a presidente argentina Isabelita Perón. Em agosto daquele ano, morreu num acidente misterioso o ex-presidente brasileiro Juscelino Kubitschek. Em março de 1977, morreu Carlos Lacerda, ex-governador da Guanabara, de problemas no coração, como Jango. Os três ex-mandatários tinham superado divergências e criado uma Frente Ampla propondo a restauração do regime democrático no Brasil.
— Não existe coincidência nesse desaparecimento de presidentes. Os militares argentinos estiveram no hotel Alvear, centro de Buenos Aires, em novembro de 76 e avisaram ao Jango, que morava ali: o senhor tem de ir embora. Ele não obedeceu e morreu um mês depois — sentencia Luthero, que levava dinheiro e documentos a Jango na Argentina.
Luthero e Dornelles lembram que os janguistas eram vigiados em tudo: casamentos, batizados, no serviço. Por isso, cultivam uma suspeita avassaladora, o assassinato — mesmo passados 36 anos da morte que comoveu o Brasil e deu a São Borja um dos maiores funerais da sua história.
Umidade pode ter prejudicado
— Recordo como se fosse hoje. Eu, guri de 14 anos, empoleirado numa árvore para ver o caixão do Jango desfilar, num cortejo que dava três voltas no cemitério — descreve o vereador Eldomir Marchezan, do PR de São Borja, que tenta aprovar um projeto encarregando o Exército de guarnecer o túmulo de João Goulart contra saques.
Eldomir, 50 anos, é dos que têm muitas dúvidas. Para ele, assassinato é apenas uma possibilidade. Afinal, Jango era chegado numa carne gorda e num uísque, já tivera infarto.
A secretária municipal de Turismo de São Borja, Leocádia Guerreiro, também não tem convicções firmadas. Está sob sua jurisdição o Museu João Goulart, criado na casa onde Jango viveu e que recebe em média 600 visitantes por mês. Gente que vem de lugares distantes como Goiás ou Argentina e se delicia com a profusão de fotos, roupas e adornos do ex-presidente expostos nas paredes do casarão no centro da cidade fronteiriça:
— Não tenho opinião formada, mas, para acabar a dúvida, só exumando.
Exames é o que defende um dos netos mais atuantes de Jango, Christopher Goulart, suplente de vereador pelo PDT em Porto Alegre:
— Indícios de envenenamento existem, mas não sabemos se há condições de provar assassinato.
A exumação vai ocorrer no Cemitério Jardim da Paz, construído sobre um antigo banhado - o que, talvez, prejudique a coleta de provas, já que infiltrações podem ter ocorrido por baixo da sepultura. O corpo de João Goulart está no jazigo construído por seu pai, o "coronel" Vicente Goulart. Ali também estão os restos mortais da irmã de Jango, Neusa, e do cunhado, o ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. Flores murchas emolduram o túmulo, deixadas por uma legião de fãs que teima em não desaparecer.
A versão do espião uruguaio
A tese de que Jango foi assassinado ganhou força quando um ex-espião do governo militar uruguaio, Mário Neira Barreiro, gravou depoimentos afirmando isso. Ele foi preso em Porto Alegre, por assalto a banco e tráfico de armas.
Sob o codinome Tenente Tamuz, Neira integrou o grupo Gama, unidade paramilitar de apoio ao serviço de inteligência uruguaio. Ele afirma ter vigiado 24 horas por dia Jango, de 1973 até o dia da sua morte. Disse isso em depoimentos a comissões parlamentares e em entrevistas.
Neira nega ter assassinado Jango, mas afirma que seus colegas o fizeram. Teriam colocado um produto que causa hipertensão em meio ao frasco de vasodilatadores que Jango tomava para prevenir infarto. As pílulas da morte seriam comprimidos de potássio e um cloreto desidratado num esterilizador. A mistura teria sido feita por um médico no hotel em que Jango morava, de tal forma que provocou o infarto fatal. Esse médico teria sido morto pelos militares, como queima de arquivo. Neira diz que o assassinato foi tramado pelo temido delegado Sérgio Fleury, do Dops de São Paulo.
Neira cumpriu pena e, desde janeiro, está em liberdade condicional, residindo em Gravataí. A Comissão da Verdade tenta localizá-lo, para ser ouvido mais uma vez.
ENTREVISTA - Odil Rubim Pereira, médico que preparou o cadáver de Jango para o funeral
“O presidente temia muito um atentado”
Um forte calor emanava do Rio Uruguai naquele 7 de dezembro de 1976, sufocando São Borja, quando o médico Odil Rubim Pereira foi chamado pelo telefone para uma missão delicada. Foi de supetão, como é usual no seu ofício, que soube da morte do conterrâneo e amigo João Goulart. O duro é que foi convocado para preparar o corpo para o funeral, já que era necessário aguardar a chegada dos filhos de Jango, João Vicente e Denize, que estavam na Europa.
Passadas mais de três décadas, Odil, 68 anos, relata aqui sua triste missão e conta que ouviu da própria boca de Jango: ele temia ser assassinado. Confira a entrevista, feita sexta-feira no consultório do médico, no centro de São Borja:
Zero Hora – De onde o senhor conhecia o Jango?
Odil Rubim Pereira – Meu pai tinha propriedade vizinha à dele, partilhava das ideias dele. Cansei de ver o Jango lidando no gado, junto com os peões. Quando adulto, ganhei coragem e pedi emprego. Com auxílio dele, fui nomeado para a Caixa Econômica Federal. Quando fazia exames médicos, veio o golpe de 64 e perdi o serviço, a nomeação foi anulada. Mas a amizade continuou. Visitei ele algumas vezes no Uruguai.
ZH – Como foi no dia do sepultamento?
Odil – Apesar de ginecologista, fui chamado, porque a família exigia um médico conhecido e de confiança. Fui. Coloquei algodões e gaze nos orifícios, o que retardou um pouco o processo de deterioração, o suficiente para a chegada dos filhos do Jango. Não tenho condições de dizer se havia algo anormal no corpo. Ele foi sepultado dois dias após a morte.
ZH – O senhor acha que a exumação do corpo pode revelar algum envenenamento?
Odil – Minha esperança é de que essas gazes e algodões que coloquei ali contenham algum material para exame genético. Quanto ao veneno, depende do tipo. Alguns não deixam rastro possível de detecção.
ZH – Qual sua opinião? Jango foi assassinado?
Odil – Acho bem provável. O clima era de paranoia, endurecimento das ditaduras. Em 1969, visitei Jango em Montevidéu. O presidente me disse que temia muito um atentado, contra ele e contra Brizola. Achou que o golpe fosse momentâneo, mas, naquela visita, se mostrou convencido de que essa gente de farda chegara para ficar muito tempo. E ficaram.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Ministro da Justiça diz que Brasil não pode mudar maioridade penal

15/05/2013 - 15h07
Karine Melo
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta quarta-feira (15) que qualquer tentativa de alteração da maioridade penal é inconstitucional. Segundo ele, esta é uma cláusula pétrea da Constituição e, portanto, não pode ser alterada.
“Mesmo que a questão jurídica fosse superada, você colocar um adolescente preso com adultos só vai agravar o problema. Só vai servir para organizações criminosas captarem gente”, disse. Como alternativa, o ministro defendeu a discussão de outras medidas como, por exemplo, o agravamento da pena para quem usar menores em ações criminosas.
Durante audiência pública na Comissão de Constituição e Justiça do Senado,o ministro fez críticas ao sistema penitenciário. “As condições do sistema prisional brasileiro são péssimas. As organizações criminosas nascem dentro dos presídios”, disse. O ministro defendeu a aplicação de penas alternativas para crimes menores. “O modelo atual não só não recupera como deixa a pessoa pronta para praticar delitos ainda maiores”.
As cláusulas pétreas são limitações ao poder de reforma da Constituição. No caso brasileiro, o Artigo 60 diz que “A Constituição poderá ser emendada mediante proposta”, mas “não será objeto de deliberação a proposta de emenda tendente a abolir: a forma federativa de Estado; o voto direto, secreto, universal e periódico; a separação dos Poderes e os direitos e garantias individuais.

Edição: Beto Coura
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quarta-feira, 8 de maio de 2013


           J O R N A L   D O S   E S T A D O S

 

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(Edson Nogueira Paim escreveu)

sexta-feira, 26 de abril de 2013

MAPI debate saúde para a terceira idade no Rio de Janeiro


“Um homem pode viver 120 anos”, afirmou o urologista Carolino Santos, presidente do diretório de Maricá (RJ), nesta quarta-feira (24/4), na abertura do ciclo de palestra que o Movimento dos Aposentados, Pensionistas e Idosos do PDT (MAPI), realiza sobre saúde para a terceira idade, no auditório da Fundação Leonel Brizola–Alberto Pasqualini, Centro do Rio de Janeiro.
O encontro contou, também, com a participação do médico Edson Paim, que preside o MAPI de Niterói. Para ele, a definição da Organização Mundial da Saúde peca, porque ignora o ambiente. “Uma boa definição seria aquela que a saúde é o perfeito equilíbrio entre o organismo humano e o ambiente”, disse.
Carolino Santos, com vasta experiência profissional no interior do Brasil, assegura que se vive ou se morre pela boca. Segundo uma pesquisa recente, no início da Era Cristã, a faixa etária era de 30 anos; na época da descoberta do Brasil, chegou a 45 anos; na década de 70, veio para 75 anos. Hoje, como temos uma alimentação farta, boa, a expectativa de vida ultrapassa os 80 anos: “para pacientes com 70 anos eu falo para que devem procurar um pediatra”.
O que leva à ocorrência do câncer de próstata – principal tormento do homem ao atingir a terceira idade – é um desafio para a medicina. 80% dos homens com mais de 80 anos têm câncer de próstata; mas como sua evolução é lenta, pode ser freado, curado, o paciente pode viver, tranquilamente, mais 15 anos, 20 anos.
Segundo Carolino, algumas pesquisas realizadas, por continentes, verificaram que a ocorrência de câncer de próstata entre os negros africanos que moram no Brasil é maior que os residentes na África; que, entre os asiáticos sua incidência era muito pequena; mas quando ele vinha para a América, aumentava. Pensaram em genética e em alimentação (lá se come muita soja e aqui, pouca).
Eles perceberam que os indivíduos pesquisados aumentavam ou reduziam o aparecimento desta doença, de acordo sua localização. Os asiáticos comem muita soja e tomate, que contêm betacaroteno, o que poderia ser um preventivo. Acredita-se, também, que o uso do selênio pode reduzir consideravelmente o aparecimento do câncer de próstata; mas, na América tinha uma quantidade de muito pequena. “E aonde se encontra selênio? Na castanha-do-pará”. Mas isto ainda é coisa de estudo, alertou Carolino.
Para Edson Paim, a saúde é definida como homeostasia, que é estado de equilíbrio do organismo como um todo: dos órgãos e das próprias células, sendo que estas se relacionam com o ambiente. “Elas recebem alimentos e têm eliminações também; e todos os rejeitos deste majestoso laboratório têm que ser eliminados. Para que esta tarefa seja efetuada com perfeita harmonia, é fundamental que cada um de nós beba, por dia, mais de dois litros de água. E para isto, existe uma regra básica: beber água sem estar com sede; por hábito; e nunca esquecer da garrafinha na mochila”.  
Para Paim, dietas alimentares para emagrecimento quase todas são furadas, porque são centradas em alguns alimentos; quando o ideal é se usar grande variedade, o que amplia o leque de elementos essenciais ao organismo humano. Comer em quantidade mata a fome, mas não mata a fome de determinadas células que têm necessidades específicas. Dieta para longevidade é restrição calórica: comer pouco, pois as células se adaptam; mas para fazer este tipo de dieta é necessário ampla variedade de alimentos: “você comer dez ou 15 tipos de alimento é mais eficaz que cinco; e pode também usar os complementos alimentares”. Sobre este tema, ele indica o endereço de seu blog http://emdiacomalimentacap.blogspot.com.br/, que está sempre atualizado, como diz orgulhosamente.
Como sempre trabalhou na rede pública, hoje, seu outro interesse está nos traumas que ocorrem no dia a dia do idoso. Considera que a locomoção recebe pouca atenção no tratamento geral da terceira idade: não se leva em conta que, muitas vezes, os ossos envelhecem mais que nós. Alerta para a necessidade do consumo de leite para reposição de cálcio, “embora defensores de algumas dietas exóticas digam que o homem é o único mamífero que bebe leite até a fase adulta; e, por isso, preconizam sua restrição absoluta”.
O comportamento de risco não é bom para os idosos. Isto ocorre principalmente na residência, onde se deve ter cuidado com os pisos, móveis e iluminação. Durante a noite, é primordial que se deixe a luz acesa.
“Quando falo em prevenção, me refiro principalmente ao pedestre, que nunca deve atravessar uma rua sem ter noção plena de que não vem qualquer veículo – principalmente os aparentemente menos perigosos, como as bicicletas. Se você chegar ao sinal e ele já estiver verde para você, não atrevesse; espere abrir novamente, porque poderá ter que correr quando acabar o tempo”, conclui Paim

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Mapi-RJ discute nesta quarta (24/4) saúde na terceira idade

O Movimento dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Mapi) do PDT-RJ promove nesta quarta-feira, 24 de abril, às 16 horas, uma discussão sobre a saúde na terceira idade com a participação dos médicos Humberto Assumpção, presidente do PDT de Macaé; Carolino Santos, presidente do PDT de Marica e Edson Paim, também médico, ex-colaborador na área de saúde do Governo Brizola.
As palestras, abertas a todos os interessados, serão realizadas no primeiro andar da sede nacional da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, na Rua do Teatro 39 – Praça Tiradentes – no Centro do Rio de Janeiro.

Mapi-RJ discute nesta quarta (24/4) saúde na terceira idade

O Movimento dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Mapi) do PDT-RJ promove nesta quarta-feira, 24 de abril, às 16 horas, uma discussão sobre a saúde na terceira idade com a participação dos médicos Humberto Assumpção, presidente do PDT de Macaé; Carolino Santos, presidente do PDT de Marica e Edson Paim, também médico, ex-colaborador na área de saúde do Governo Brizola.
As palestras, abertas a todos os interessados, serão realizadas no primeiro andar da sede nacional da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, na Rua do Teatro 39 – Praça Tiradentes – no Centro do Rio de Janeiro.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Idosos apresentam 12 vezes mais risco de morrer por dengue

Do total de óbitos neste ano, 42% foram de pessoas acima de 60 anos. Idosos devem procurar os serviços de saúde nos primeiros sintomas da doença
Pessoas com idade acima de 60 anos têm 12 vezes mais risco de morrer por dengue do que as de outras faixas etárias. Do total de óbitos registrados nos primeiros três meses deste ano (132), 42% foram de integrantes deste grupo, segundo levantamento do Ministério da Saúde.  Devido a esta vulnerabilidade, o Ministério da Saúde alerta aos idosos a procurarem os serviços de saúde assim que surgirem os primeiros sinais da doença.
“As causas desta condição de risco não estão completamente esclarecidas, mas podem estar relacionadas com a maior prevalência, nesta faixa etária, de doenças crônicas, como cardíacas, diabetes, entre outras”, observa o secretário de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa.
Os sintomas mais comuns da dengue são febre, dor de cabeça - algumas vezes mais localizada no fundo dos olhos - e dores nas articulações. “Se a pessoa com a doença apresentar dores abdominais e vômitos persistentes, deve buscar imediatamente um serviço de saúde porque estes são sinais de agravamento. Também é fundamental não tomar remédio que tenha em sua composição o Ácido Acetil Salicílico (AAS, aspirina e outros) e se hidratar com água, sucos e água de coco”, aconselha Jarbas Barbosa.
VIDEOCONFERÊNCIA -Estas recomendações foram reforçadas pelo secretário durante videoconferência realizada nesta terça-feira (9), em Brasília, com representantes das secretarias estaduais das Regiões Nordeste e Sudeste, além do Paraná e Distrito Federal. Também participaram representantes das secretarias municipais de saúde de Maceió, São Luís, João Pessoa e Sergipe.
Durante o evento, o secretário Jarbas também alertou as autoridades para a necessidade de monitoramento da situação epidemiológica e reforço da preparação dos serviços de saúde, inclusive dos pequenos municípios, para evitar os casos graves e os óbitos, com a utilização do protocolo de tratamento elaborado pelo Ministério da Saúde.
Além disso, foi enfatizada a necessidade de que as secretarias estaduais também reforcem, junto aos prefeitos, a necessidade de intensificar as ações de mobilização comunitária visando à eliminação dos focos intradomiciliares; o trabalho dos agentes municipais de controle de endemias e, ainda, as ações de limpeza urbana e de fiscalização de borracharias, ferros-velhos e outros locais com possibilidade multiplicação dos criadouros do mosquito transmissor da doença.
Segundo o secretário, o trabalho dos prefeitos de execução das ações de combate à dengue, é fundamental para se evitar as epidemias, os casos graves e os óbitos. “A combinação do trabalho preventivo de cada família com as ações do Poder Público, é capaz de reduzir a população do Aedes aegypti. As pessoas devem redobrar os cuidados em suas casas, verificando a caixa d´água, vasilhames para o armazenamento de água, calhas, lixo e outros recipientes que acumulam água, como pratos de vasos para plantas, entre outros”, afirmou o secretário. 
MAPA DA DOENÇA: Nos três primeiros meses deste ano, 11 estados brasileiros apresentaram alta incidência de dengue e concentraram 74,5% dos casos notificados ao Ministério da Saúde.  De 1º de janeiro a 30 de março, os estados de Rondônia,Acre, Amazonas, Tocantins, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiásregistraram índices que vão de 304.9 até 3.105 casos por 100 mil habitantes (veja tabela 1). O Ministério da Saúde considera três níveis de incidência de dengue: baixa (até 100 casos por 100 mil habitantes), média (de 101 a 300 casos) e alta (acima de 300). A média nacional é de 368.2 casos/100 mil habitantes.
Em números absolutos, os 11 estados registraram 532.107 casos suspeitos, o equivalente a 74,5% do total das notificações em todo o país, ou seja, 714.226. Do total de casos suspeitos notificados neste ano, 83.768 já foram descartados.  Vale destacar que as notificações em 2013 ainda são consideradas suspeitas, podendo ser descartados ou confirmados após a investigação pelas secretarias municipais de saúde. No ano passado, no mesmo período (1º de janeiro a 30 de março), foram 190.294 notificações.  Em 2011, os casos notificados foram 344.715 e, em 2010, de 501.806.
Embora o Brasil contabilize aumento nos casos suspeitos, foi registrada redução de 5% dos casos graves, se comparado ao mesmo período de 2012 (veja tabela 2) No ano passado, ocorreram 1.488 casos graves e, neste ano, foram confirmados 1.417. Já no mesmo período de 2011, a redução foi 74% (5.361) e, em comparação com 2010, foi de 82% (7.804).   Com relação aos óbitos, foram confirmados 132 (entre 1º de janeiro a 30 de março) de 2013. Em 2012, foram 117 óbitos; 236 (2011) e 306 (2010), no mesmo período.
INVESTIMENTOS - Nos últimos anos, o Ministério da Saúde destinou aos estados e municípios, de forma permanente, recursos para o financiamento das ações de vigilância, o que inclui o controle da dengue: R$ 1,05 bilhão em 2010; R$ 1,34 bilhão em 2011; e R$ 1,73 bilhão em 2012. Além disso, todos os municípios receberam adicional de R$ 173,3 milhões, efetuado em dezembro de 2012, para ações de qualificação das atividades de prevenção e controle da dengue, visando prevenir a intensificação da transmissão que sempre ocorre no verão. Em 2011, foram R$ 92,8 milhões para 1.159 municípios.
O Ministério da Saúde também desenvolveu outras ações - como o aprimoramento da capacidade de alerta e resposta à dengue, por meio dos sistemas de vigilância e monitoramento dos municípios para detecção precoce de surtos - revisão e atualização dos planos de contingência e compra de estoque estratégico para apoio ao atendimento às vitimas nos estados e municípios. Foram enviados aos estados e municípios 240 mil frascos de soro fisiológico, 300 mil envelopes de sais de reidratação oral, 30 mil frascos de do medicamento Paracetamol gotas e 487.500 em comprimidos. Também foram adquiridos e distribuídos aos gestores locais estoque estratégico de inseticidas e larvicidas para controle do mosquito transmissor: 2.500 toneladas de larvicidas, 350 mil litros de inseticidas, 60 mil litros de solventes de inseticidas.
Em novembro do ano passado, o Ministério da Saúde lançou campanha de mobilização contra a dengue e intensificou a sua divulgação durante todo o período de maior ocorrência da dengue em 2013. Também foi oferecido aos profissionais de saúde ensino a distância em manejo clínico do paciente com dengue, por intermédio de curso promovido pela UNASUS, conhecido como Dengue em 15 minutos. Além disso, as secretarias de Atenção à Saúde e de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde, vem prestando assistência técnica para organização da rede de serviços de saúde ao atendimento dos pacientes com a doença e apoio às atividades de prevenção e investigação dos óbitos suspeitos de dengue.
Comparativo de casos notificados de dengue 2012 e 2013 por UF
 

UFSemanas 1 a 13Incidência
2012201320122013
Norte20.63542.605126.2260.6
RO1.0408.57165.4539.1
AC1.0975.148144.6678.5
AM2.58310.95071.9304.9
RR520421110.889.7
PA9.1437.357116.994.1
AP12750018.271.6
TO6.1259.658432.0681.2
Nordeste67.62247.255125.487.7
MA2.6411.22039.318.2
PI2.7921.30288.341.2
CE9.4157.034109.481.7
RN7.0952.106219.865.2
PB1.0872.28628.559.9
PE17.4511.641195.418.4
AL6.6891.375211.343.4
SE1.82439286.418.6
BA18.62829.899131.4210.9
Sudeste78.906376.99996.7462.2
MG8.698152.23043.8766.7
ES2.79033.50178.0936.3
RJ56.42669.258347.6426.7
SP10.992122.01026.2291.2
Sul1.62256.8665.8205.1
PR1.48655.35314.0523.3
SC513640.85.7
RS851.1490.810.7
Centro­Oeste21.509190.501149.11320.7
MS2.00977.78280.23105.0
MT11.22525.525360.3819.3
GO7.73884.131125.71366.9
DF5373.06320.3115.6
Total190.294714.22698.1368.2

Comparativo de casos graves e óbitos por dengue 2012 e 2013 por UF
 

País/Região/UFSemana epidemiológica 1 a 13
Casos GravesÓbitos
2012201320122013
ConfirmadosConfirmadosConfirmadosConfirmados
Rondônia81721
Acre2000
Amazonas84626
Roraima0000
Pará542138
Amapá2000
Tocantins18520
Norte9289915
Maranhão20652
Piauí17830
Ceará517150
Rio Grande do Norte102851
Paraíba251112
Pernambuco1014123
Alagoas34400
Sergipe23110
Bahia12432116
Nordeste497815314
Minas Gerais3884524
Espírito Santo13333216
Rio de Janeiro306164197
São Paulo41971013
Sudeste5186773550
Paraná588014
Santa Catarina0000
Rio Grande do Sul0000
Sul588014
Mato Grosso do Sul2398122
Mato Grosso924839
Goíás259334167
Distrito Federal2201
Centro-Oeste3764822039
Brasil1.4881.417117132

Por Valéria Amaral, da Agência Saúde - Ascom/MS
(61) 3315-6258 / 3580